Equipas de Nossa Senhora | Retiro Anual da Região Douro Sul |27 e 28

Fomos convidados a partilhar com toda a comunidade a vivência de retiro de casais das Equipas de Nossa Senhora (ENS), que decorreu no último fim de semana de fevereiro e cujo encerramento foi vivido com a comunidade paroquial de Espinho na Eucaristia dominical.

“As ENS são um movimento de espiritualidade conjugal cujo objetivo é ajudar os casais a viver plenamente o seu sacramento do Matrimónio. Os casais, conscientes das suas próprias fraquezas e das dificuldades que encontram, decidem formar equipa e constituir uma comunidade de fé para percorrerem juntos um caminho de conversão, apoiando-se uns nos outros.” Assim se apresentam as equipas a quem por elas procurar online.

Na equipa Espinho 1 somos 5 casais e um sacerdote, o nosso Conselheiro Espiritual. Reunimo-nos uma vez por mês à volta da mesa, partilhamos alimento na refeição e na reflexão de um tema, que nutre o nosso crescimento espiritual, conjugal e familiar.

Nos dias 27 e 28 de fevereiro cerca de 80 lares viram-se transformar em casas de retiro, onde os casais das Equipas e suas famílias quiseram acolher o Retiro Anual da Região Douro Sul e, guiados pelo nosso pároco, o padre Artur Pinto, refletir sobre a fé na vida doméstica.

Com a ternura de quem nos faz próximos de Jesus, o padre Artur foi abrindo o nosso coração e os nossos olhos para a forma como Jesus, na sua humanidade, traz a fé para fora do templo e a faz atravessar toda a vida, na simplicidade do quotidiano, na vida pública e sobretudo na vida familiar e doméstica. Que nos mostra que a vida fraterna não tem hierarquias mas relações próximas, que exigem um amor compassivo, capaz de aceitar os defeitos, as imperfeições e a hostilidade que muitas vezes nos habita. E que não há maior liberdade do que viver em completa gratuidade.

Fomos então desafiados a olhar para o nosso seio familiar, a avaliar que escolhas fazemos na construção do nosso lar, que pilares sustentam a nossa fé, que limites ou cercas colocamos à nossa volta, ou como nos libertamos. Convidados a abrir a porta e a promover o encontro, a viver em comunidade, comprometidos com o bem do outro, numa atitude delicada de quem estende a mão. E assim nos questionava o padre Artur “quantas mãos temos em casa para ajudar”, para levantar o outro, para sermos a porta que se abre quando alguém bate… mesmo quando isso acontece dentro da nossa casa.

Este momento de reflexão em casal, e mais tarde em família à volta das panelas numa receita-oração, fez-nos recentrar no que é essencial.

Vivemos um momento em que os nossos lares são invadidos, e até devassados, pelo teletrabalho e pela escola em casa, fazendo-nos sentir como num aquário ou, como lemos noutro dia num artigo de opinião, num “big brother via zoom”. Saibamos pois deixarmo-nos antes invadir pela fé que saiu do templo para vir ao nosso encontro e abramos a porta da nossa casa, da nossa morada, criemos nela um refúgio de paz e oração, e neste alicerce definamos o espaço do teletrabalho e da escola em casa.

Fez-nos ainda dar graças pela vivência na nossa Equipa, que tem sido para nós família de famílias, com altos e baixos como qualquer família, quiçá incubadora para a vida em comunidade paroquial, demonstrando-nos que, sim, é possível confiar sem nos conhecermos só por nos reconhecermos como irmãos.

Ainda nos lembramos da primeira vez que participamos numa reunião de Equipa. O casal que acompanhava a formação da Espinho 1 deu-nos uma morada e disse-nos “No domingo à hora de almoço apareçam e toquem à campainha”. Quando chegamos e enquanto saíamos do carro, lembro-me de comentarmos… “que loucura, não nos conhecem de lado algum e vamos bater à porta e dizer: olá, viemos para almoçar!” Pois é, batemos e a porta abriu-se, atrás dela esperava-nos um sorriso aberto e uma mesa posta.

Na nossa Equipa, como em qualquer família e qualquer comunidade, não somos iguais, seremos até muito diferentes, mas caminhamos juntos. Não importa se um coxeia, outro se distrai, ou se um outro se dá conta que tem que voltar para trás porque está demasiado só lá na frente. O que importa é dar-se conta. Dar-se conta do outro e de nós próprios. Saber que temos ao lado quem nos dá a mão e nos levanta quando sentimos que perdemos a força, sem se impor, sem nos pretender mudar “para melhor”, mas partilhar um caminho de gente imperfeita que se sabe amada por Deus, e por esse amor sente desejo de mudar.

A Equipa é um lar que se abre a cada mês, nos abraça e nos devolve ao caminho em comunidade, só para nos ver regressar no mês seguinte.

Sónia e Abel Pereira, Equipa Espinho 1

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