
Após meses de portas fechadas devido a extensas obras de renovação, a igreja matriz da paróquia de Espinho finalmente reabriu suas portas para uma das celebrações mais aguardada do ano: a Missa de Natal.
Este não foi um Natal comum, muito pelo contrário. Foi marca visceral – um reencontro comunitário com um lugar que mantinha um peso profundo nos corações de muitos fiéis. Para nós, a igreja não é apenas um edifício; é um refúgio de fé, tradição e memórias.
No entanto, se não fosse possível realizar a cerimónia na nossa Casa faríamos a festa noutro qualquer lugar bastando apenas a comunidade unida para o estado de alegria geral.
Apesar de uma pequena claridade se ter instalado e o céu estar maioritariamente limpo, o interior da igreja irradiava um acolhimento ardoroso. Mesmo não estando concluídas, as obras instalaram a sua imponência original, com um toque de modernidade que respeita sua história.
A luz dos vitrais cavalgava no tempo da cerimónia pelas pessoas e pelas paredes recém-pintadas.
Conforme os paroquianos entravam, os seus rostos iluminavam-se com sorrisos de júbilo. Havia uma sensação palpável de deleite e gratidão no ar. Alguns paravam para tocar as paredes augustas e ancestrais como se reacendessem uma conexão antiga. As crianças corriam com entusiasmo, olhando para os presépios montados junto às paredes da nave central. Pois aquela Casa é o nosso Presépio.

O padre Artur, igualmente emocionado, deu início à cerimónia. A sua voz ecoava com orgulho e humildade, grato pela paciência e o apoio da comunidade durante as reformas. Falando sobre a importância de renovação, não apenas nos espaços físicos mas também do espírito, da fé nos nossos corações.
A tradicional homilia foi substituída por uma dramatização, realizada por alguns jovens da paróquia. Foi um lembrete vívido da semântica do Natal.
No final da missa, enquanto as pessoas se cumprimentavam e trocavam votos de Feliz Natal, na entrada da Igreja, estavam instaladas umas mesinhas com biscoitos. Havia uma sensação de renovação e fortalecimento dos laços comunitários. A igreja é um lar espiritual reavivado pronto para acolher muitos mais Natais e celebrações. A Missa de Natal naquela igreja renovada foi mais do que uma reabertura; foi um renascimento da comunidade e da fé partilhada entre seus membros.




Marta Estrela

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