Esta viagem teve como objectivo a visita às cidades andaluzas de Córdoba e Granada, marcos da presença árabe, durante oito séculos, em Espanha. A Catedral-Mesquita e a Alhambra são, respectivamente, os ex-libris arquitectónicos destas duas cidades. No entanto, conservam outros vestígios menos visíveis, mas tão duradouros e valiosos como aqueles conjuntos históricos. Poderemos referir que, grande parte dos seus esgotos, as condutas e o sistema de recolha da água, mantêm os traçados concebidos pelos arquitectos muçulmanos, durante a época da dominação árabe. A malha urbana com as ruas estreitas e sinuosas, os telhados avançados, os pátios e a paisagem destas duas cidades, remontam ao longo período dos califados e da dinastia Názar.
A viagem iniciou-se junto ao salão paroquial, rumando à cidade de Córdoba, passando por Elvas e Badajoz. Houve um ponto de paragem para almoço em Zafra, cidade da comunidade autónoma da Estremadura. Após o almoço, prosseguimos a nossa viagem em direcção a Córdoba.
A cidade de Córdoba é uma cidade muito antiga com influências romanas, visigóticas, árabes, judaicas e cristãs, com um património extraordinário e que se manteve bem conservado até aos nossos dias, nomeadamente, a catedral-mesquita e a antiga judiaria. Daí que a UNESCO, em 1984, tenha classificado aquele templo como Património da Humanidade, estendendo esta classificação a todo o centro histórico, dez anos depois.
Foi capital da província romana da Bética, a partir do séc. I, capital do califado de Al-Andaluz com o seu apogeu durante o séc. X. Durante a ocupação árabe conviviam, na cidade, vários povos, muçulmanos, judeus e cristãos, imprimindo a sua cultura e forma de viver nos respectivos bairros. No séc. XIII foi conquistada pelo rei de Castela, Fernando III, o Santo.
A nossa visita a esta cidade centrou-se essencialmente na visita à Catedral-Mesquita, ao Museu Arqueológico e passeio a pé pelos bairros árabe e judeu, onde pudemos admirar os seus pátios e as suas ruelas estreitas e sinuosas.
Finalizámos a nossa visita a Córdoba com a celebração eucarística, presidida pelo Sr. Padre Artur, numa das capelas da Catedral, gentilmente cedida pelo Cabido.

Após a eucaristia rumámos a Granada.
Granada está situada no sopé da Serra Nevada, com forte influência árabe, resultante da sua ocupação pelos mouros, desde o século XI até ao século XV. Neste século foi conquistada pelos Reis Católicos. Actualmente, os expoentes máximos da cultura islâmica são a Alhambra e o Generalife.
Iniciámos a visita pela Alhambra, construída no século XIV e situada no topo de uma colina que domina a cidade. Visitámos os jardins, a muralha com as suas torres e portas, e os palácios nazari. Nestes, é de realçar o aspecto exterior sem qualquer ostentação, enquanto que o seu interior é luxuoso, com abóbadas e arcos, que na sua estrutura, lembram grutas de estalactites, as suas paredes com mosaicos e inscrições árabes, assim como os seus tetos em gesso. Além disso, temos os dois pátios, o dos Arraianos, com as suas galerias e arcos, e o dos Leões, com os seus tetos, mosaicos e fonte.
Junto aos palácios nazari, existe um palácio renascentista, mandado construir por Carlos V, com a sua fachada profusamente decorada e com um pátio circular. Esta obra nunca foi terminada. Actualmente, aloja os museus da Alhambra e das Belas Artes.
Prosseguimos a visita para o Generalife, residência de Verão dos reis mouros, com os seus parques, fontes, jardins e hortas.
Para finalizar, após o almoço, efectuámos a visita à Capela Real e à Catedral renascentista, do séc. XVI, onde se encontram os túmulos dos Reis Católicos, situados numa cripta. Terminámos a visita com um passeio livre pela cidade, que possibilitou algumas compras.
A visita a Granada, para alguns, terminou com um espectáculo de flamenco, exibido numa das grutas do Bairro de Sacromonte. Foi antecedido por um passeio a pé, onde foi possível ter uma vista panorâmica nocturna da cidade de Granada e do conjunto arquitectónico da Alhambra e do Generalife. Naquele bairro são visíveis as influências árabe e judaica, uma vez que judeus e árabes aqui se instalaram, no séc. XVI, aquando da sua expulsão de Granada, pelos Reis Católicos.
No dia seguinte iniciámos a viagem de regresso a Espinho, rumando a Sevilha, onde tivemos a pausa para o almoço. Após este, efectuámos uma pequena visita à cidade, em torno da sua catedral. Retomámos a viagem, em direcção a Ayamonte, Leiria, Aveiro e Espinho.

Por fim, e não menos importante, temos de realçar o espírito de camaradagem, de fraterna convivência e de cumplicidade, que se estabeleceu entre os participantes deste passeio cultural. Este foi um passeio de todos, com todos e para todos.
BEM HAJAM.
Celeste Brandão

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