Missão Casa Fiz do Mundo | Guiné

Continuamos a dar voz aos nossos missionários na Guiné 

“É muito difícil descrever e explicar aquilo que vivi na Guiné. Só quando nos deparamos com uma realidade tão dura como aquela, é que percebemos o verdadeiro significado da palavra simplicidade. De como é possível viver com tão pouco e, mesmo assim, estar grato por tudo o que se tem. Da importância da partilha, de estarmos disponíveis, de simplesmente estarmos com os outros, de viver em comunidade. De como Deus está presente onde menos esperamos.

Todas estas vivências e todas as pessoas com quem me cruzei realizaram em mim algo que eu pensava que já sabia – ensinaram-me a viver verdadeiramente. E, por isso, vim de coração cheio. Porque tenho plena consciência de que recebi muito mais do que o que dei.

No texto que redigi antes de ir em missão escrevi que: “Quando voltar, sinto que vou ter uma perspetiva completamente diferente de tudo o que me rodeia.” E estava certa. Apesar de ter sentido um enorme choque quando cheguei à Guiné, também senti um choque muito grande quando regressei a Portugal. É impressionante a quantidade de distrações que existem no nosso mundo. Distrações que antes me passavam despercebidas, porque sempre vivi com elas, mas que agora estão por todo o lado. Como, felizmente, nunca tive de me preocupar se ia ter ou não comida em cima da mesa, e se ia ter ou não roupa para vestir, tendo a preocupar-me (erradamente) com coisas mais superficiais que apenas me trazem uma felicidade disfarçada. No mesmo texto também escrevi: “O mundo em que vivemos está sempre a evoluir com o objetivo de criar condições cada vez mais práticas e confortáveis (as tais distrações), para que possamos viver da melhor maneira possível.” Mas agora sei que a maneira mais prática e confortável nem sempre é a melhor maneira de viver. Sinto, agora mais do que nunca, a verdadeira felicidade no simplesmente “estar”.”

Beatriz

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