Ao longo das próximas newsletters, vamos dar voz aos nossos missionários na Guiné
Um mês pós missão…

Antes do início da missão, a ideia que tinha de tudo o que ia acontecer na Guiné era totalmente diferente do que lá se sucedeu. Lembro-me de pensar que iria rapidamente ficar farto de estar em Buba e que ia passar um mau bocado devido a todas as diferenças no modo de vida e até pela distância de casa. O que realmente aconteceu é que acabei a missão a desejar outras 3 semanas na Guiné.
Uns meses antes da ida para a Guiné estava muito apreensivo e reticente em ir e acabei mesmo por decidir não ir. No entanto, acabei por me arrepender rapidamente porque senti que não iria acabar uma tarefa que já tinha começado, porque estaria mais uma vez a perder uma oportunidade de sair da minha zona de conforto e crescer e porque iria perder um mês fantástico com este grupo maravilhoso que se foi formando.
Uma das coisas que me surpreendeu mais durante o tempo que lá estive foi a ligação que todos criámos com os Guineenses com quem estivemos em contacto, nomeadamente as pessoas ligadas à missão e à paróquia. Pessoas estas que ficarão para sempre no meu coração e com quem espero reencontrar-me no futuro.
A missão para além de ter sido um projeto cujo principal objetivo era ajudar de todas as formas que conseguirmos as pessoas de Buba, foi também muito importante para o nosso crescimento. Por exemplo, sinto que desde que cheguei comecei a apreciar muito melhor os momentos de oração em que participo, nomeadamente a eucaristia, e tento procurar mais momentos de contemplação da natureza (a beleza natural da Guiné ajudou) e momentos de reflexão (última semana-tipo de música que ouço). Acho também que nos ajudou imenso a saber a que coisas é que temos que dar valor na vida. A ida à Guiné fez também com que começasse a pensar mais sobre o futuro e sobre o que pretendo para a minha vida. Acho que antes estava só a existir e a adiar o meu crescimento de forma infantil, quer seja enquanto estudante/futuro profissional, enquanto pessoa e até nas relações com amigos e família. Desde que voltei, posso nem sempre fazer o que devo, mas sinto que tenho uma maior perceção daquilo que estou a fazer mal. Voltei também com um certo sentimento de obrigação para com os Guineenses com quem convivemos, que me obriga a dar o meu melhor em tudo o que faço na vida, já que tudo me foi proporcionado.
Rui Santos

Deixe um comentário