XXXIII D O M I N G O  D O   T E M P O   C O M U M

 

 MEDITANDO A PALAVRA DE DEUS…

 

PRIMEIRA LEITURA (Dn 12, 1-3)

 

Leitura da Profecia de Daniel

 

Naquele tempo, surgirá Miguel, o grande chefe dos Anjos, que protege os filhos do teu povo. Será um tempo de angústia, como não terá havido até então, desde que existem nações. Mas nesse tempo, virá a salvação para o teu povo, para aqueles que estiverem inscritos no livro de Deus. Muitos dos que dormem no pó da terra acordarão, uns para a vida eterna, outros para a vergonha e o horror eterno. Os sábios resplandecerão como a luz do firmamento e os que tiverem ensinado a muitos o caminho da justiça brilharão como estrelas por toda a eternidade.

 

Palavra do Senhor.

 

A obra atribuída a Daniel foi escrita pelos anos 164-165 antes de Cristo quando os judeus estavam sob o domínio grego que impunha a sua cultura, língua e religião. Havia já revoltas contra este domínio. Lembremos a história dos Macabeus.

Por essa altura, iniciava-se um novo género literário que iria prolongar-se até ao século III depois de Cristo. Trata-se do estilo “apocalíptico” que se caracteriza genericamente por usar imagens misteriosas e a simbologia dos números, das cores e das vestes dos vários personagens. Daniel usa esta forma de expressão literária nos capítulos 7 a 12, onde se situam as palavras que hoje se lêem. É preciso conhecer este tipo de discurso para não se cair na armadilha duma leitura literal.

De forma também genérica, podemos dizer que os livros que utilizam este género estilístico apresentam uma MENSAGEM DE ESPERANÇA: a maldade, a injustiça, a perseguição não vencerão, pois Deus está atento à Sua obra e acabará por vencer. Daniel escreveu na época em que Antíoco IV Epifânio perseguia ferozmente os judeus, chegando mesmo a decretar o fim da religião judaica.

O que o texto nos ensina é que nenhuma lágrima, nenhum sofrimento, nenhum sacrifício, suportado para manter a fidelidade a Deus, se perderá. Será a nossa fidelidade que apressará o nascimento do novo reino: o reino de Deus.

                            

MEDITANDO A PALAVRA DE DEUS…

 

SEGUNDA LEITURA (Hb10, 11-14.18)

 

Leitura da Epístola aos Hebreus

 

Todo o sacerdote da antiga aliança se apresenta cada dia para exercer o seu ministério e oferecer muitas vezes os mesmos sacrifícios, que nunca poderão perdoar os pecados. Cristo, ao contrário, tendo oferecido pelos pecados um único sacrifício, sentou-Se para sempre à direita de Deus, esperando desde então que os seus inimigos sejam postos como escabelo dos seus pés. Porque, com uma única oblação, Ele tornou perfeitos para sempre os que Ele santifica. Onde há remissão dos pecados, já não há necessidade de oblação pelo pecado.

 

Palavra do Senhor.

No Templo de Jerusalém, os sacerdotes ofereciam continuamente sacrifícios para purificar os seus pecados e os pecados do povo. Acreditavam que, desta maneira, Deus Se deixaria aplacar. Dois erros neste ritual infindável de sacrifícios: Deus não é um ser vingativo e os sacrifícios exteriores não têm capacidade de perdoar pecados. Deus não é manipulável nem domesticado por sacrifícios. Deus é BONDADE e apenas um coração puro pode alcançar misericórdia.

O autor desta Carta insiste na diferença entre os sacerdotes de Israel e Jesus Cristo. Com um único sacrifício, oferecido uma única vez, Jesus alcançou o perdão dos pecados. Desde então, o único sacrifício é a morte de Cristo, actualizada, real e sacramentalmente, na EUCARISTIA.

Não precisamos de inventar sacrifícios. Fazer da vida uma oferta diária, unindo-nos ao sacrifício de Jesus, doar a vida pelos outros, celebrar a Eucaristia na vida e a vida na Eucaristia, eis o caminho para a nossa purificação e da nossa santificação. Os cristãos devem ser pessoas eucarísticas.

                

  MEDITANDO A PALAVRA DE DEUS…

 

EVANGELHO (Mc 13, 24-32)

 

Evangelho de Nosso Senhor Jesus

Cristo segundo São Marcos 

 

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Naqueles dias, depois de uma grande aflição, o sol escurecerá e a lua não dará a sua claridade; as estrelas cairão do céu e as forças que há nos céus serão abaladas. Então, hão-de ver o Filho do homem vir sobre as nuvens, com grande poder e glória. Ele mandará os Anjos, para reunir os seus eleitos dos quatro pontos cardeais, da extremidade da terra à extremidade do céu. Aprendei a parábola da figueira: quando os seus ramos ficam tenros e brotam as folhas, sabeis que o Verão está próximo. Assim também, quando virdes acontecer estas coisas, sabei que o Filho do homem está perto, está mesmo à porta. Em verdade vos digo: Não passará esta geração sem que tudo isto aconteça. Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão. Quanto a esse dia e a essa hora, ninguém os conhece: nem os Anjos do Céu, nem o Filho; só o Pai».

Palavra da salvação.

 

 MEDITAÇÃO SOBRE O EVANGELHO

Estamos de novo perante o DISCURSO APOCALÍPTICO/ESCATOLÓGICO, que é preciso saber ler. O primeiro ponto é inserir o texto no contexto em que foi produzido. Quando Marcos escreveu, as comunidades cristãs passavam por grandes dificuldades, o que levava alguns fanáticos, recordando as palavras de Jesus sobre a destruição do Templo, a anunciar uma catástrofe que poria fim à criação e apressaria a última vinda de Cristo. Ora, é contra esses fanáticos que Marcos escreve, tranquilizando os cristãos, incitando-os a viver o momento presente com fé e esperança

Posto isto, quais os ensinamentos que Jesus nos quer transmitir?

As religiões pagãs consideravam os astros do céu como divindades que influenciavam directamente a vida das pessoas. Jesus quer dizer que o mundo pagão, representado por essas divindades, será destruído. Todavia, tal não acontecerá de forma imediata e sem a perseguição dos cristãos.

Jesus convida-nos a recusar todos os que pregam catástrofes. Embora não negando as dificuldades que os esperam, os cristãos têm de ser os HOMENS DA ALEGRIA e DA ESPERANÇA. Eles sabem que os dramas, as violências, as desordens não são sinais de morte, mas dores de parto que precedem o nascimento de um mundo novo, já inaugurado por Cristo, testemunhado pela sua vida, morte e ressurreição e pela vida de milhões e milhões de seres humanos, oferecida em favor dos outros. Não é preciso ter medo do fim do mundo. Jesus venceu todos os medos e está continuamente a bradar: “Coragem! Eu venci o mundo. Unidos a Mim, tudo vencereis.”

A imagem da figueira convida-nos a ter um OLHAR SACRAMENTAL sobre o mundo. A figueira, árvore várias vezes mencionada por Jesus, é um símbolo da Terra Prometida. Cheia de ramos e folhas é um sinal de esperança. ESPERANÇA é a palavra fundamental deste texto. Certamente que tudo terá um fim, mas o futuro já começou em Cristo. A única maneira de ser “contemporâneos” desse futuro é viver e assumir plenamente o presente. Um cristão deve ser HOMEM DE ESPERANÇA, capaz de descobrir nos sinais do tempo a presença de Deus, guia da história, meta da humanidade. Deve ser também HOMEM DA ALEGRIA, exactamente porque portador de uma esperança que nada pode destruir. Deve ter olhos de “Cristo” para ver o invisível na capa do visível, deve rasgar rios de luz na sombra dessa capa e ser profeta da ESPERANÇA, esse cimento que alicerça a vida em colunas invioláveis.

 

CADA VEZ MAIS PERTO

 

Ó meu Deus, como é grande o Teu Amor!

 

Na curva da estrada, estás presente;

no brilho do Sol, estás presente;

no sorriso das crianças, estás presente;

no amor puro dos jovens, estás presente;

no coração das famílias, estás presente;

no leito dos doentes, estás presente.

 

Ó meu Deus, como é grande o Teu Amor!

 

Na procura da felicidade, estás presente;

nas dúvidas dos crentes, estás presente ;

nos gestos de partilha, estás presente;

nas festas dos aniversários, estás presente;

no mistério da vida estás presente.

                                                                         

Ó meu Deus, como é grande o Teu Amor!

 

Tão perto e não conseguimos ver-Te,

distraídos, despistados na areia das coisas.

Bates à nossa porta, mas a suavidade da Presença

é abafada pelas ondas dos ruídos.

Tu passas sempre amigo e disponível,

mas os nossos medos impedem de Te ouvir.

 

Destrói este medo que nos paralisa,

esta mediocridade que nos escraviza,

esta indiferença que nos queima o vigor.

Devolve-nos a esperança de que é possível

um mundo novo, cheio de figueiras carregadas

de frutos de fraternidade e do sabor da liberdade.

 

Ámen!

                                                                                                                                                                                                                                  JGuerra

 

 

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