O silêncio continua…

Sexta Feira Santa  foi um dia intensamente vivido na nossa paróquia. Rezámos as laudes às 9h e às 15h iniciou-se a celebração da Paixão e Morte  do Senhor. A nossa igreja estava cheia ( lotação permitida ) obedecendo às exigências ditadas pela covid 19. Muitos mais queriam ter participado presencialmente, tal não foi possível. Toda a celebração foi vivida com grande interiorização, porque os momentos solenes que se seguiram assim o exigiam. Tudo foi vivenciado com muita fé e amor. A adoração da cruz não deixou ninguém indiferente, assim como a sua passagem ao longo das coxias laterais. Da homilia do Sr Pe Artur muito haveria para dizer, mas destaco apenas as seguintes palavras “ morre Deus, para que o homem viva. Não nos esmaga, não nos domina, não nos controla, não nos oprime, mas precisa de Se esconder. Para quê? Para se pôr do nosso lado peregrinando com todos aqueles que estão esmagados pelo mal. Caminhar até ao calvário onde se encontra o último dos últimos…”
Sentimentos ? Uma amálgama de pensamentos e emoções. O dia do vazio, do medo, do abandono, da solidão, da cobardia e dos porquês…
Um Deus, Senhor de tudo quanto existe, morre por amor numa cruz. Antes sofre a traição, a negação, o abandono daqueles que amava. Sobe a colina do Calvário com a cruz onde todos nos encontramos. O Servo Sofredor, só e em silêncio, cai…uma mulher enxuga-Lhe o rosto. Um homem ajuda-O a levar a cruz. No Gólgota, sua mãe, Maria, o apóstolo e a outra Maria olham, sofrendo. Pregam-n’O à cruz. Pede Perdão. Dá-nos uma mãe e um irmão, desfazendo os laços de sangue para que circule, em total liberdade, a energia do amor. Promete o paraíso ao bom ladrão. Teve sede, sede do nosso amor… e entregou-Se ao Pai.
Porquê sofrer?
Se a linguagem da cruz é loucura para uns, para os cristãos é a força e o amor de Deus. A noite estende o seu manto sobre o Gólgota. Aquele Santo e Adorado Corpo no colo de Sua mãe é envolto num lençol de linho e depositado num sepulcro.

O silêncio continua…

Alice Coelho

Sexta feira Santa

  Adoração  à  Cruz de Cristo 
Jesus morre na Cruz  e   ouve-se o cântico
Meu povo que te fiz  Eu ? Em que te contristei ?
Responde -Me.
É sempre arrepiante este grito de Jesus humano injustiçado ! 
Jesus coloca-nos perante a nossa indiferença, o nosso ” quero lá saber ?” 
Meditemos  e todos os dias  tantas vezes  e  nem damos conta o quanto duros de coração somos 

Meditemos

Celeste Rocha

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