Confinados à Mesa com o Senhor

Temos vivido dos dias mais conturbados da nossa existência humana.
Tudo nos foi retirado.
Não podemos sair, não podemos conviver, não podemos socializar, não podemos viajar e, muitos de nós, não podemos sequer ir trabalhar.
As nossas rotinas, o nosso quotidiano, as nossas vivências alteraram-se drasticamente…
Não temos direito a ter direitos.
Fomos simplesmente compelidos por um vírus a pararmos.
Foi neste quadro negro, fortemente sonegante, que entramos na Quaresma.
E, à medida que a mesma avançava, quando pensávamos que estava tudo perdido, quando pensávamos que estávamos condenados a fecharmo-nos em nós próprios, nos nossos medos, Jesus irrompe nas nossas vidas, tal e qual um raio de sol que irrompe na manhã fria de inverno, ainda escura, convidando-nos a sentamo-nos à sua mesa.
Cegos no nosso egocentrismo, recusamo-nos a sair da nossa zona de conforto.
Não acreditávamos em nós e estávamos convencidos que não tínhamos um lugar à Sua mesa.
Mas Jesus não desiste e, de forma totalmente inesperada e surpreendente para nós, levanta-Se da mesa para nos dar o Seu lugar.
Nesse momento o nosso coração rasga-se…
Finalmente encontramos a mesa da Quinta-Feira Santa, a mesa onde Jesus quis comer a Páscoa com os seus discípulos, a mesa de todas as refeições, a mesa onde todos têm lugar, a mesa para a qual estamos hoje todos convidados.
Esta mesa vai muito para além da realidade física, é “…um lugar indispensável de intercâmbio, de território de relação…”, desde que nascemos até aquilo que nos tornamos hoje.
A mesa é assim um lugar de respostas positivas, centradas no amor, no outro, no pobre, naquele que nada tem.
Apenas quando te sentas nessa mesa é que te apercebes o quanto és amado.
Aí, não te alimentas apenas de comida, mas alimentas-te do outro.
Só quando estás sentado na mesma mesa, é que te apercebes da presença do outro, da sua palavra, do seu silêncio, do seu gesto, do seu olhar…
A vida é assim um pão que se parte e se reparte todos os dias na sua mesa.
É aí que tudo começa, mas depois, tal como Jesus, tens de te levantar e tens de convidar outros a sentarem-se nessa “nossa” mesa.
Deixemo-nos ir onde tivermos que ir. Se deixámos que Jesus nos lavasse os pés, façamo-lo agora uns aos outros.
Meu Deus, que bom que é estar confinado à volta da Tua mesa.

Gonçalo Ribeiro

A Eucaristia  !
A Mesa  !
Este ano ainda não foi possível estarmos todos à Mesa
A alegria, a solenidade do cântico da Glória a Deus , os sinos que as crianças tocavam , alegrou o nosso coração que teve um ano amargurado.
Também não foi possível fazer o “lava pés” literalmente
Este é o momento que Jesus dá exemplo de humildade, amor e serviço. É Deus ajoelhado aos pés dos discípulos e lava os pés !
 E sentimos este desafio –  E vós estais disponíveis para fazer o mesmo ?  Lavar os pés, as lágrimas ,as angústias, os medos dos teus irmãos e até dos teus inimigos ?
Perdoai  Senhor ! Só o teu Amor nos salva  !

Celeste Rocha

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