Por uma Igreja mais Sinodal

Na sequência do repto lançado pelo Papa Francisco que convoca toda a Igreja para refletir sobre qual o caminho a seguir para construir uma Igreja sinodal, realizou-se no passado dia 5 de Fevereiro um encontro de reflexão e escuta no Centro Pastoral da paróquia de Espinho.

Estiveram presentes várias personalidades com pontos de vista diversos sobre a temática, as quais partilharam com todos os presentes as suas diferentes experiências vividas em Igreja (positivas e negativas).

O painel de oradores teve natureza heterogénea, estando nele representadas diversas ideologias, crenças, experiências e vivências (não baptizados, católicos divorciados, com segundo casamento, membros da Opus Dei, de diferentes partidos políticos, baptizados que colaboram activamente na paróquia e baptizados que se afastaram da vida da Igreja, crentes e não crentes…).

A necessidade de construir uma Igreja com um papel preponderante no acolhimento de todos, sem excepção nem julgamento, foi uma das principais ideias partilhadas no encontro.

O papel dos jovens mereceu também algum destaque, tendo sido veiculada a ideia do desenvolvimento de um trabalho articulado com as escolas no sentido de autoconhecimento e de transmissão de mensagens de amor e serviço. Na necessidade de uma rede de partilha e ajuda, principalmente, acerca de valores de companheirismo, cooperação e ambiente.

Foi referenciado que, muitas vezes, o cidadão comum não se apercebe e desconhece o trabalho desenvolvido pela igreja, nomeadamente no que concerne à sua função social.

No decorrer do encontro foi, ainda, abordada a necessidade do debate de temas que por vezes são encarados como tabus e dogmas. Entre estas temáticas destacou-se a situação do divórcio, celibato, mulher sacerdote, contracetivos vs. aborto, eutanásia vs. sofrimento. 

A forte hierarquia clerical, a institucionalização e elitismo, traduzidos em regras e rituais impostos pelo homem foram referenciados como aspectos fortemente debilitantes da Igreja.

Uma Igreja mais criativa em detrimento da Igreja actual, demasiado dependente da caridade dos seus fiéis, foi uma das propostas de mudança apontadas.

Foi, finalmente, destacado que a mudança deverá começar no interior da Igreja, perspectivando-a como uma família que acolhe e não abandona. O caminho deverá ser feito em conjunto e união, mesmo no que respeita às questões que possam ser consideradas fracturantes. Em resumo, a igreja terá de ser, em qualquer caso, parte da solução.

Pretendeu-se com este encontro dar mais um passo na escuta e reflexão sobre as escolhas a fazer, em termos de vivência, para que a Igreja possa ser encarada e vivida como uma verdadeira comunidade que caminha com todos.

 Jacinta Barros

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