DIA MUNDIAL DO  DOENTE

“Fome de pele “

O dia do doente foi instituído pelo Papa João Paulo II, em 1992, e a este propósito, na sua mensagem para este dia, o Papa Francisco escreve : “Quando uma pessoa experimenta na própria carne fragilidade e sofrimento por causa da doença, também o seu coração se sente acabrunhado, cresce o medo, multiplicam-se as dúvidas, torna-se mais impelente a questão sobre o sentido de tudo o que está a acontecer. A propósito, como não recordar os numerosos enfermos que, durante este tempo de pandemia, viveram a última parte da sua existência na solidão duma Unidade de Terapia Intensiva, certamente cuidados por generosos profissionais de saúde, mas longe dos afetos mais queridos e das pessoas mais importantes da sua vida terrena.”

Passamos meses difíceis e únicos na História da Medicina; “só quem trabalha num hospital é que percebe o que a rua esconde” conforme diz uma colega minha que escreveu um livro cuja leitura aconselho: “Da pandemia ao pandemónio”

A missão de um Diretor Clínico de um hospital é a de garantir as  condições de trabalho para os médicos e assegurar que todos os pacientes tenham assistência médica adequada. Ele deve estar atento ao surgimento dos novos doentes e novas doenças ; não só o denominado síndrome pós COVID ( entidade clínica presente nos doentes que padeceram da mesma ) mas doenças que surgiram como danos colaterais desta batalha e hoje apetece-me falar dos profissionais de saúde . O futuro confirmará aquilo que vamos assistindo diariamente nos hospitais: a exaustão física e psíquica , menor tolerância ao esforço, dificuldades de comunicação interpessoal e de relacionamento. “ Ao pessoal de saúde não foi dada a possibilidade de se entrincheirar em suas casas, no redil familiar ,a experimentar receitas,  nem desportos radicais caseiros , não tiveram tempo para inventar vídeos tik-tok  nem escrever as suas memórias do confinamento” continua Alexandra Malheiro no seu livro.

Vai ficar tudo bem dizia a imprensa e lá vinha outra onda ; “aos heróis das palminhas das janelas é-lhes exigido que não tirem férias, que multipliquem horas extra e turnos de 24 horas , que não fiquem doentes nem morram”.

Sérgio Godinho escreve “Dadas as circunstâncias mantenha as distâncias, respeite os espaços , controle as suas ânsias de beijos e abraços refreie as audácias e as inobservâncias “

Como diretor clínico de um hospital da dimensão do CHBV sinto que tenho que fazer um esforço adicional, que tenho mais uma missão acrescida à de recuperar listas de espera e de consultas em atraso, tenho que tratar dos meus profissionais.

“Cuidem-se , amem-se e não percam a esperança “ termina a Alexandra.

José Luís Brandão

foto de freepik.com 

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