Gloria Steinem diz que” Deus está nos detalhes, mas a divindade está nas ligações”.

Nesses detalhes duma vida dedicada ao outro revelou-nos  Emília Mateiro, como gosta de ser conhecida, os frutos duma vida passada em dedicação, cujo elo fundamental, a ligação ao próximo, sempre foi motivado pela revolução de fé que ocorreu na sua vida a partir dum determinado momento.

Também a propósito de “ligações “e “detalhes” esta entrevista tem um significado vivo para mim (Ana Gomes) pois foi a D. Emília que me preparou para receber o sacramento do Crisma e tudo quanto pude aprender durante essa preparação, especialmente o valor duma pequena oração feita em silêncio, com ela ficar-lhe-ei para sempre agradecida.

Na partilha de tantos momentos no apoio ao serviço de refeições na cantina social desenvolveu-se desde cedo uma ligação especial entre a D. Emília e o Tiago Marques daí a escolha natural para ser ele a conduzir esta entrevista à qual acedeu com todo o carinho.

Com esta simples entrevista pretendemos dar corpo a uma mensagem de amor e dedicação ao próximo, da qual a sua história é precisamente um testemunho vivo.

 Ana Gomes

Hoje falamos com   Emília Mateiro, nascida em Massarelos, no Porto, em 1.08.1942. Há muitos anos colaboradora da paróquia de Espinho

P ( paróquia ) – Quando foi a sua primeira e grande experiência de fé?

E ( Emília ) – Depois duma vida atribulada no casamento com violência doméstica procurei algo que me fizesse sentir bem. Nesse carrossel de emoções foi preciso bater no fundo para depois me elevar. Senti-me aliviada, amparada nas minhas preocupações e começou a minha fé verdadeira.

P – Quem foi para si a grande referência de fé?

E – O Pe. Manuel, um dia ouviu-me durante longas horas e senti que estava frente a um ser humano excecional e de facto tão especial foi essa conversa que me fez seguir o amor de Deus e simultaneamente me transmitiu serenidade e paz profunda.

P – O que recebeu da Paróquia? Onde é que esta a ajudou a crescer na fé? 

E – Posso afirmar que recebi tudo! E o que dei não é tanto quanto recebi: recebi carinho, amor, atenção; a Paróquia ajudou-me na dádiva ao outro e nessa entrega fui sempre recebendo um enorme carinho e também talvez por isso ajudou-me a reforçar a minha ligação com a comunidade.

P – Em poucas palavras descreva-nos o seu percurso de fé?

E – Comecei no setor litúrgico, depois fui para grupo coral, fiz o curso de leitores e depois estive também no setor profético, como catequista. Fui também catequista de adultos e estive na preparação de adultos para o crisma e de alguns adultos para o batismo.  Fui ministra da comunhão e este serviço honrou-me bastante pela responsabilidade e preencheu-me muito. Depois comecei a ser catequista de crianças e tenho imensas saudades desse tempo. Mais tarde fui convidada para a Conferência Nª. Sra. da Ajuda, onde ainda estou desde há mais de 30 anos. Passei para o serviço social da cantina, um trabalho fabuloso, e fui também convidada para fazer um curso de teologia entre outros; estive 16 anos com o Professor Guerra na catequese de adultos e fiz também um curso sobre o antigo testamento com o Pe. Samuel e Albino. E ao longo da minha vida fui aprofundando a minha fé e tentando obter respostas para algumas perguntas: porque estava ali e quais os motivos.

P – O que significa para si ajudar o outro?

E – Significa felicidade pela gratidão que sentia em poder ajudar o próximo. Às vezes o outro só quer atenção, ser ouvido e um sorriso resolve sempre tudo!

P – Neste momento, o que mais precisa da Comunidade? E o que pode oferecer à Comunidade?

E – Com esta minha idade, decidi afastar-me um pouco da vida comunitária e dar lugar aos mais jovens. Percebi que há um tempo para tudo no sentido literal da palavra. A comunidade precisa de gente jovem para formar uma igreja mais aberta, mais universal. Continuo a ser feliz, mas confesso que sinto muita falta do meu trabalho. Para responder à segunda parte da tua pergunta, continuo na conferência e por isso trabalho lado a lado com a paróquia. Confesso que houve questões fraturantes no meu relacionamento com o Pe. Artur, mas ainda esta semana pude sentir o seu apoio numa questão de carácter familiar em que precisei da sua ajuda.

9 – Como vê as novas gerações dentro da paróquia?

R – Temos que aproveitá-las da melhor maneira possível, dando-lhes apoio, mas também liberdade para agirem, pois só assim a igreja poderá modernizar-se e estar mais aberta. Insisto nesta ideia, pois acho que os jovens podem trazer um espaço novo de abertura que é fundamental numa igreja dinâmica. Por outro lado, esta juventude traz ensinamentos aos mais velhos pois entendo que” os mais velhos necessitam de menos rituais e de mais valores”.

P- E que conselhos daria aos mais jovens para construção duma comunidade viva?

E – Os jovens são por definição muito criativos e aproveitando essa criatividade é preciso que deem um pouco do seu tempo à igreja. Como mensagem dir-lhes-ia que um dia mais tarde nas suas vidas familiares e profissionais, esses tempos serão para eles muito valiosos e serão a pedra de toque das suas vidas.

P – O que falta fazer na nossa paróquia?

E – Abrir-se muito mais para a criatividade.Vou dar um exemplo concreto: na catequese quando ensinamos a uma criança pequena o que é a fé, ela não sabe bem o que é, mas, no entanto, sabe o que é o carinho, especialmente se o sentir. E há muitas formas de levar a criança a experimentar a fé, sobretudo aquelas que não recebem carinho dentro da sua própria casa. E há tantas assim! A mensagem que dou aos jovens principalmente os do setor catequético é que eles também têm de aprender a transmitir Alegria e Paz. A mensagem de Amor é fundamental. Outro exemplo concreto: a reestruturação dos grupos corais,  pois entendo que não era benéfica a manutenção dos grupos estanques. Todos ficaram a ganhar com um ensaio único e uma distribuição equitativa dos membros pelas diferentes eucaristias.   Essa foi uma alteração positiva que o Pe. Artur introduziu na paróquia e com a qual estou de acordo. Misturar as gerações também é benéfico, pois os jovens estão mais recetivos à mudança e vão, por outro lado, beber à fonte do conhecimento e da experiência dos mais velhos, resultando numa interação geracional muito positiva.

 CONCLUSÃO 

Gostaríamos muito de lhe agradecer em nosso nome e em nome da Paróquia de Espinho o tempo que nos dedicou também com esta entrevista.Tínhamos muito mais  coisas para lhe dizer, mas cabe tudo num simples Bem Haja.

Obrigado D. Maria Emília!

 Esta entrevista foi realizada via “Meet “por: Tiago Marques /Ana Gomes

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