INDEFETÍVEL PARAÍSO

Fraturas de novidades. Espaços de alegria que circulam até à capilaridade dos ossos e tendem para florescer nos olhos. A cruz é sempre difícil. Nem olhada muitas vezes se faz fácil. A cruz fratura e toda ela é dolorosa. Novidade. A dor? Na dor o encontro consigo que abre a realidade. Aceitar a realidade é a grande cruz que fratura e dá espaço para a novidade que se é. Abrem-se as portas e sai a grande novidade que é cada um. Em Jesus. Libertamo-nos do medo e a dor passa pela transformação pascal. A paz.
Nada mais, a paz. Paraíso sem linhas faz-se sem fraturas. Saltar da palestra para que nada seja escrito não traz paz. Esta só acontece quando não se saltam linhas e se escuta até ao fim a cruz de Jesus
.


DOMINGO
Jesus disse-lhes de novo: «A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós». Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos».
(Jo 20,21-23)

SEGUNDA-FEIRA
Um sopro vital espera-se todos os dias para que amanhã seja verdadeiramente amanhã e hoje fique completo.

TERÇA-FEIRA
Sem o serviço, e sem o acolhimento dos últimos, erra-se nas discussões da vida.
Luta-se pelo que não nos traz destino.

QUARTA-FEIRA
Canta a grandeza de sermos comunhão e faz desta escola a grande lição da vida.

QUINTA-FEIRA
Nos confins dos ossos escutas o apelo sem fim à comunhão. Nos ossos colhes a paz e teces a esperança que nos une num só corpo.

SEXTA-FEIRA
Será possível viver sem Deus? Claro, da mesma forma que é possível viver sem amor. E sem o outro? Sim, da mesma forma que é possível viveres sem ti. És capaz?

SÁBADO
Fácil é deixar de perguntar. Bem difícil é deixar de abraçar.

ORAÇÃO
Concede-me,
Senhor meu Deus,
Uma inteligência que Te conheça,
Uma angústia que Te procure,
Uma sabedoria que Te encontre,
Uma vida que Te agrade,
Uma perseverança que Te espere
com confiança
E uma confiança que Te possua,
Enfim!

(S. Tomás de Aquino)

POEMA
A voz que nos rasgou por dentro
De onde vem – a voz que
nos rasgou por dentro, que
trouxe consigo a chuva negra
do outono, que fugiu por
entre névoas e campos
devorados pela erva?
Esteve aqui – aqui dentro
de nós, como se sempre aqui
estivesse estado; e não a
ouvimos, como se não nos
falasse desde sempre,
aqui, dentro de nós.
E agora que a queremos ouvir,
como se a tivéssemos reconhecido outrora,

onde está? A voz
que dança de noite, no inverno,
sem luz nem eco, enquanto
segura pela mão o fio
obscuro do horizonte.
Diz: “Não chores o que te espera,
nem desças já pela margem
do rio derradeiro. Respira,
numa breve inspiração, o cheiro
da resina, nos bosques, e
o sopro húmido dos versos.”
Como se a ouvíssemos.
Nuno Judice

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