UMA ESCRITURA DE NOVIDADE

Há quem tenha desistido de escrever o Céu nos seus dias. Há quem pense impossível qualquer escrita e o único céu que descerram escreve-se em folhas de papiro nas memórias que deixam. Desde que o primeiro homem olhou o céu, não foi este que o criou, mas a humanidade que foi criada por este olhar.
Uma fratura abre-se na novidade de se encontrar num porto de partida com um destino sem regresso.
Sabermo-nos sempre a partir, com poucas coisas escritas ou nenhumas, para estar com todos. Em cada encontro deixar que o olhar se eleve, para se deixar escrever de novo. O Céu não é escritura, é eixar-se escrever com letras diferentes. Quem acredita levanta os olhos… escreve? Deixa que em si inscrevam testemunhos que ergam a humanidade. Jesus é o único escritor. Só Ele tem palavras. É a Palavra.


DOMINGO
«Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda a criatura. Quem acreditar e for baptizado será salvo…»
(Mc 16,15-16)

SEGUNDA-FEIRA
A dispersão para fugir a qualquer escrita deixa-nos em branco. Há quem tenha medo de perder a pureza de si, perdendo-se na indiferença.

TERÇA-FEIRA
Voltar os olhos ao Céu é permitir que o Céu escreva na carne valores humanos que só Deus pode escrever.

QUARTA-FEIRA
Olhar o Céu é olhar o mundo com os olhos de Deus. Olhar o mundo sem voltar os olhos para o Céu, é ver o mundo com os olhos da morte
.

QUINTA-FEIRA
O Céu no olhar faz dos homens irmãos. Sem Céu o olhar cega-se.

SEXTA-FEIRA
No Céu apenas perguntam pelo amor. Quem na terra pergunta pelo amor, já no Céu vive

SÁBADO
Segue o olhar que abre o Céu no coração e terás caminho na terra que traz a novidade do amor.

ORAÇÃO
Desde que Tu Te foste
Não pescamos nada.
Levamos vinte séculos
Lançando inutilmente
As redes da vida,
E entre as suas malhas
Só pescamos o vazio.
Vamos queimando horas
E a alma continua seca.
Tornamo-nos estéreis
O mesmo que uma terra
Coberta de cimento
Estaremos já mortos?

José Luis Martín Descalzo

POEMA
Inscrições sobre as ondas
Mal fora iniciada a secreta viagem
um deus me segredou que eu não iria só.
Por isso a cada vulto os sentidos reagem,
supondo ser a luz que deus me segredou.


David Mourão Ferreira

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