Altar de Isengheim | Matthias Grunewald  | Políptico que acompanha a dinâmica da Quaresma

O grande retábulo de Issenheim, obra mais famosa de Grünewald, foi encomendado pelo “preceptor” do convento dos Antoninos, para substituir um retábulo mais antigo. O políptico (retábulo com compartimentos fixos e móveis) é uma ilustração das atividades dos religiosos, que se dedicavam ao cuidado dos doentes, em particular dos pestíferos. O padroeiro, santo Antão, ocupa um lugar de destaque.

Primeiro Domingo | A tentação de Santo Antão

Santo Antão é considerado o Pai do monaquismo cristão. A escuta da Palavra de Deus levou-o a despojar-se e a viver como eremita, num local muito abandonado, inabitável.  Santo Antão  é retratado como um velho derrotado, mas não quebrado, com uma barba longa. Os demónios atormentadores são cruéis, apresentados na forma de monstros poderosos e ferozes.O primeiro plano está literalmente “fervilhando” de espíritos malignos, cuja aparência assusta e repele, mas no fundo existem penhascos de giz brancos como a neve emoldurados por um céu azul sereno. Uma grande mancha amarela no céu, como símbolo de luz, calor, algo mais alto, também não é coincidência.  É  uma indicação da presença de Deus Pai, que veio em auxílio dos justos, que saiu para lutar com suas tentações no deserto egípcio. 

Segundo Domingo | S.Antão e S. Paulo de Tebas

A pintura representa o encontro dos dois patriarcas do eremitismo cristão, S. Paulo de Tebas e S Antão. Quando se encontram são visitados por um corvo que lhes traz dois pães. S. Paulo diz ser diariamente alimentado por este mensageiro divino, o qual, nesta ocasião, havia duplicado a ração em honra do convidado. Mantemos no quadro as cores e a disposição gráfica do quadro das tentações, a confusão que os rodeia a evocar o mundo e em cima o branco e o azul mostrando a presença do divino. Mas no quadro anterior S. Antão estava deitado e  era atormentado  pelas imagens maléficas e agora encontra-se sentado a ouvir Paulo que, com o dedo a indicar, se mostra como mestre. O rosto de S. Antão está  sereno e a mão aberta pronta a receber e a dar, em contraste com o rosto aflitivo da pintura das tentações.

Terceiro Domingo | S. Sebastião 

No Terceiro Domingo de Quaresma, debruçamo-nos sob São Sebastião, jovem mártir atravessado pelas três flechas heráldicas da sua paixão cristã. Enquanto soldado romano, Sebastião fora julgado traidor do império por reconhecer e reconfirmar a fé do cristianismo. Grünewald incorpora a sua figura através de um traço despretensiosamente escultural, tocado pela escola italiana e imposto à esquerda do painel central do retábulo de Isenheim. A imagem da punição expõe a fragilidade do castigo pela luta do propósito cristão, equilibrado, no entanto, pela beleza triunfal do amor eterno.

Quarto Domingo |S. Antão

O grande retábulo de Issenheim, obra mais famosa de Grünewald, foi encomendado pelo “preceptor” do convento dos Antoninos, para substituir um retábulo mais antigo. O políptico (retábulo com compartimentos fixos e móveis) é uma ilustração das atividades dos religiosos, que se dedicavam ao cuidado dos doentes, em particular dos pestíferos. O padroeiro, santo Antão, ocupa um lugar de destaque.

Quinto Domingo |  Crucifixão 

No Quinto Domingo de Quaresma, convidamos à visita ao painel central do Retábulo de Isenheim. Grünewald mergulha numa imensidão de negro pesar, com um ténue e misterioso despontar da luz do amor de cristo. Num desespero angustiante, Maria, esmorecida no amparo cuidado de São João Evangelista, enverga a pureza da mãe que roga pelo espírito do filho. Emoldurada e dilacerada pela angústia da dor, Maria Madalena abate-se aos pés outrora ungidos de Cristo. No calvário, reúne-se também João Batista, na derradeira representação da redenção do Homem. Conforme as Escrituras, o cordeiro de Deus é sacrificado no pecado por onde se moveu. A cruz que sustém o corpo findo de Jesus verga-se perante a quebra do seu percurso mortal. Este, num esgar comum aos seus, emite o último suspiro, na dor esperançosa que o ilumina.

Domingo de Ramos | Deposição da Cruz

No Domingo de Ramos, a predella do Retábulo de Isenheim fixa a lamentação da descida da cruz. Grünewald, num despojar do sofrimento deixado pelo painel principal, deixa o corpo de Cristo nos braços das duas mulheres e, com a coroa de espinhos finalmente a seus pés, Jesus é colocado no sepulcro, nu, desalento corpóreo, cujo espírito transcendeu a carne.

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