MÃOS DE ESPERANÇA

Dias escritos com letras pequenas são transfigurados em capitais. Os dias de Jesus são capitais. A simplicidade só é possível quando se é artífice na forja da esperança. Um pequeno encontro com uma palavra em letras normais tece um passo em frente no deserto das nossas mãos. Jesus tem um imenso deserto diante de si, na visão de um vale verdejante.
Muito de nós não é memória útil. Dias nublados na diluição do tempo sem abertura capital. Jesus escreve com outra mão: a da esperança. Tudo se escreve nesta delicada mão que te traz ao porto de partida para a transfiguração.
As letras pequenas não têm hora marcada. Marcam a partida para um outro dia, onde tudo é escrito com a mão da esperança.

DOMINGO
Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João e subiu só com eles para um lugar retirado num alto monte e transfigurou-Se diante deles.
As suas vestes tornaram-se resplandecentes, de tal brancura que nenhum lavadeiro sobre a terra as poderia assim branquear. Apareceram-lhes Moisés e Elias, conversando com Jesus.
(Mc 9,2-4)

SEGUNDA-FEIRA
A misericórdia faz a limpeza da memória que abre a esperança do nascimento do melhor de ti.

TERÇA-FEIRA
Tudo o que é pequeno traz em si o milagre da vida. Tudo o que é grande traz em si a errância da fantasia.

QUARTA-FEIRA
A transfiguração dos dias passa por procurar as letras pequenas com que somos narrados. A esperança faz a narrativa avançar com o pouco de cada dia.

QUINTA-FEIRA
Quem não escuta a ténue emoção que palpita em si, ou o leve desejo que o habita, ainda não iniciou a sua transfiguração.

SEXTA-FEIRA
O que negas dentro de ti é o que mais desejas dentro de ti. O porto de embarque que evitas é o que te faz atracar todos os dias à realidade.

SÁBADO
Carregamos as ilusões do que não somos. Estas pesam mais do que o mal que fazemos. No mal apenas expressamos as fantasias do que somos.

ORAÇÃO
Tu, que me amas tal como sou
E não tal como me sonho,
Ajuda-me a aceitar, Senhor,
A minha inevitável pobreza,
As minhas condições de homem limitado
E, no entanto, com as minhas luzes
e minhas sombras,
Com a minha mansidão e os meus
arrebatamentos,
Com os meus sorrisos e as minhas lágrimas,
Com o meu passado e o meu presente.

Michel Hubaut

POEMA
Grandeza do homem
Somos a grande ilha do silêncio de deus
Chovam as estações soprem os ventos
jamais hão-de passar das margens
Caia mesmo uma bota cardada
no grande reduto de deus e não conseguirá
desvanecer a primitiva pegada
É esta a grande humildade a pequena
e pobre grandeza do homem

Ruy Bello

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