A voz dos que dão e recebem 

Após um primeiro período de catequese dedicado ao aprofundamento da encíclica do Papa Francisco, Laudato Si, e na sequência da dinâmica de advento, os adolescentes do 10º ano foram desafiados, pelos catequistas, a integrar o callcenter da paróquia, que tem como missão apoiar idosos que estão isolados nas suas casas.

Praticamente todos os adolescentes do grupo aceitaram o desafio. E após terem feito uma pequena formação com o padre Artur, deram início no passado dia 24 de Janeiro, ao seu voluntariado.

A Inês Melo, o Francisco Amaro e a Beatriz Ferreira são três desses adolescentes que nos relataram a sua experiência.

Inês: – Já liguei duas vezes para a senhora. Na primeira vez apresentei-me e logo de seguida falamos bastante sobre histórias de vida. Ambas as chamadas duraram aproximadamente 50 min, e foram repletas de emoções. A senhora a quem telefono não pode sair de casa, porque pertence ao grupo de risco elevado, e por isso, passa os dias sozinha em casa, triste por eventos ocorridos na sua vida. Demonstrou-se muito agradecida pela ajuda e surpreendida porque não sabia que alguém lhe ia telefonar e ouvi-la.

Francisco: – Ainda só telefonei uma vez à senhora. Mas nessa vez, já falamos bastante. Falamos mais de uma hora. Após uma breve apresentação, a senhora começou a partilhar a sua maneira de ver o mundo e as suas histórias de vida. As histórias foram bastante interessantes e mostram-me como o mundo pode ser um lugar cruel, principalmente para aqueles que não merecem. A solidão é um castigo que a senhora consegue aguentar porque acredita fielmente em Deus e acredita que Deus está sempre com ela. E, sem contar com a minha chamada, Deus é a sua única companhia. Com o marido falecido, a solidão coloca pressão nesta idosa. Mas ainda assim, a senhora mantém-se muito forte, apesar de uma considerável tristeza. Demonstrou-se muito agradecida e pareceu gostar muito da conversa, tal como eu.

Beatriz: – Liguei para a senhora uma vez, apresentei-me e perguntei como estava e se necessitava de alguma coisa. Estivemos a falar sobre uma parte da família da senhora e combinamos a próxima chamada. A senhora que me foi atribuída é muito simpática, afável e sente-se muito grata pelas chamadas telefónicas que a ajudam bastante e que mais tarde poderão se tornar visitas presenciais.

O entusiasmo com que os adolescentes aderiram ao call center surpreendeu os três catequistas. Todos os adolescentes consideram que está a ser uma experiência muito positiva e desafiam outros jovens a aderir ao projeto. 

A voz dos que recebem e dão 

Recebi um telefonema do CALL CENTER da nossa paróquia. Atendo surpreendida porque um jovem que se identificou, e que andava no décimo ano de catequese, queria saber se estava bem, se precisava da ajuda dos serviços do voluntariado paroquial . Senti que fui preocupação em tempo de confinamento.  Agradeci, sensibilizada, até gaguejei… ainda não precisava porque a família está atenta. Depois refleti, e… Em tempo de pandemia, confinada, ter a oportunidade de uma boa conversa é uma excelente ajuda !!

  Sim , eu preciso.

 Obrigada!

Celeste Moreira 

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