Noite bendita, noite santa, noite de graça…

No passado sábado, o sábado da noite bendita, da noite santa, da noite de graça, todos fomos convidados a viver, virtualmente, um dos momentos mais altos do Tríduo Pascal, a Vigília Pascal.

Alguns de nós não viveram a celebração online. Neste relato, a partilha de quem viveu presencialmente o momento, como membro do coro: a Igreja estava praticamente vazia. Sentiam-se saudades daquelas quatro paredes com uma torre bem alta. Com fios de um lado para o outro, com um tripé a segurar uma pequena câmara ligada a um computador que estava em cima de um dos bancos, deu-se início à celebração. Com Precónio, Enviai, Senhor, o Vosso Espírito, Cantemos ao Senhor, Senhor, vós tendes palavras, Glória, Aleluia, Fontes do Senhor, Ladainhas, Sois a obra das mãos de Deus, A terra tremeu e silenciou, Nós vimos o Senhor Jesus Ressuscitado e Cantai com Alegria, Jesus ressuscitou, o coro e o organista animaram a celebração como habitualmente fazem.

Foi uma celebração bonita. Mas, na mente soam as palavras: “Foi estranho”. Sentia-se a falta das luzes apagadas. Sentia-se falta de ver os acólitos a acenderam as velas das primeiras pessoas que estavam nos bancos. Sentia-se falta de ver as pessoas a partilharem aquela luz umas com as outras. Sentia-se falta de ver aquelas luzes surgirem aos poucos. Sentia-se a falta de ver a Igreja cheia de luzes, cheia de pessoas com fé a participarem naquela noite tão especial. Sentia-se esse pequeno vazio. Sentia-se a falta de ver aquele pequeno corredor de luzinhas que serviam para os leitores e para os salmistas irem anunciar a palavra de Deus. Sentia-se a falta de ver as luzes todas da Igreja a acender e ouvir aquela forte e belíssima introdução a sair dos tubos do órgão e aquelas vozes todas a cantar aquilo que nós, coro e organista , chamamos o “Glória a quatro vozes” do Cónego Ferreira dos Santos. Sentia-se a falta de ver aquela multidão de pessoas a levantarem-se alegres para escutarem o Evangelho, para escutarem que Jesus ressuscitou. Sentia-se a falta daquela força de viver aquela celebração de todas aquelas pessoas que ocupavam os bancos e os corredores da nossa Igreja. Mas uma coisa não faltou: a união de todos. Apesar de não estarmos todos juntos presencialmente, sentia-se que todos estávamos juntos a viver aquele momento, mesmo sendo à distância.

É verdade que esta pandemia nos tirou muita coisa. Tirou-nos a parte mais humana sem a qual nenhum ser humano consegue viver: a presença física daquelas pessoas que nós chamamos amigos, família, irmãos verdadeiros, dos abraços, dos toques, dos beijinhos. Por muito que várias pessoas digam que existe sempre a hipótese virtual, a física tem muito mais valor.

Por isso, vamos continuar a acreditar que em breve nos vamos reunir outra vez na casa de Deus, que em breve vamos voltar a ter aquela força e aquela fé que todos sentimos quando vamos à Igreja participar nas celebrações e receber e partilhar com os outros o amor que Deus tem para nos dar.

Deixe uma Resposta

Please log in using one of these methods to post your comment:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: