A Eucaristia como partilha dos dons e da vida…

A celebração de quinta feira santa como memorial da instituição da Eucaristia é sempre um dos momentos marcantes do Tríduo Pascal.

Na nossa paróquia com a grande mesa colocada no centro, como é habitual, a convidar todos à concelebração do momento.

Mas este ano a sensação de entrada foi de vazio, os convivas não chegavam… No entanto à medida que a celebração foi decorrendo, tivemos a sensação de que os lugares se iam preenchendo, que todos iam chegando para o momento de partir o pão e abençoar o vinho. Percebi mais uma vez a maravilha da promessa da chegada do Espírito Santo para nos apoiar como Igreja.

E… Ouviram-se os sinos e no alto da torre uma luz brilhou…

A subida à torre e a bênção da cidade, a visão das janelas iluminadas e o vislumbre das pessoas que aguardavam, elevou nesta noite o momento de contemplação do “verdadeiro corpo do Senhor” fazendo transbordar a mensagem de entrega e serviço que Cristo transmite à sua Igreja. No fundo, o profundo significado da Eucaristia como partilha dos dons e da vida.
Sexta-feira Santa | a humildade que se pode ver nos pés descalços ao adorar a cruz…
Viver a Sexta feira Santa é celebrar a Paixão e Morte de Cristo em silêncio, jejum, oração e em comunidade. Este ano tudo foi vivido faltando a comunidade, o encontro com o outro, com o coro, com a assembleia, com toda a organização, reuniões que preparam um Tríduo Pascal… este ano foi diferente, mas nem por isso menos importante, menos vivido.

Esta sexta feira santa foi vivida num verdadeiro “silêncio interior”, na meditação, na contemplação do amor de Deus, no pedido que, como Cristo, o Pai nos pudesse livrar desta hora, mas no entanto, que não se faça a nossa vontade…

Sentirmos que somos pequeninos, sentirmos que somos frágeis e mais este ano, diante da Cruz. Contemplar este Cristo destruído, flagelado, abandonado, este ano, sozinhos, fez parar o nosso tempo para vermos se verdadeiramente estamos juntos. Quantos estão abandonados e nem sequer os vemos, quantos estão sós e nem queremos saber, quantos pedem ajuda e até mudavamos de caminho só para não ver, só para que o sentimento de ajuda não se apodere de nós…

Este ano, podemos dizer que vivemos verdadeiramente a sexta feira santa – vivemos a injusta morte de um homem inocente, mas que morre para nos mostrar que nos Ama de uma forma inexplicável, de uma forma tão grandiosa que o Homem só consegue perceber quando verdadeiramente pára e percebe que afinal não é nada… que não adianta ódios, ciúmes, invejas mas sim o Amor sempre o Amor ao próximo, ao outro, na humildade que se pode ver nos pés descalços ao adorar a cruz, na humildade que se consegue ver ao despojarmos as supostas riquezas que acumulamos ao longo dos dias, Eucaristia como partilha dos dons e da vida, para que se faça não a nossa vontade mas sim a d´Ele.

Viver a sexta feira santa, mas em especial esta sexta feira santa, foi viver a morte para poder ressuscitar numa vida, que se espera, nova, com maior intensidade de ligação ao outro, de entreajuda, de verdadeiro Amor.

Viver esta sexta feira santa foi um verdadeiro sacrifício, um verdadeiro silêncio, uma verdadeira morte, mas acreditando sempre que o amanhã será bem melhor e que Cristo ressuscitará e nos libertará de todo o mal.

Viver esta sexta feira santa, foi acreditar que o amanhã será ainda mais vivido e mais sentido, vivendo a verdadeira Páscoa, em verdadeira comunidade.

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